Soja avança no Sul: plantio é concluído no RS e lavouras mostram bom potencial produtivo
Apesar de atrasos pontuais por excesso de chuva, cenário geral é positivo, com bom vigor inicial e sanidade adequada das plantas.
A semeadura da soja foi praticamente concluída no Rio Grande do Sul, e o cenário observado nas lavouras é considerado positivo para a safra 2025/26. Mesmo com chuvas frequentes nas últimas semanas, que atrasaram áreas pontuais, o estabelecimento da cultura é bom, com vigor inicial satisfatório, sanidade adequada e expectativa favorável de produtividade.
Na regional de Bagé, a maior parte dos municípios já encerrou o plantio. Restam apenas áreas específicas, principalmente aquelas destinadas à safrinha após o milho e algumas áreas de várzea, onde o excesso de umidade ainda dificulta a entrada de máquinas no campo. Segundo técnicos locais, esses atrasos não comprometem o panorama geral da safra, já que o grosso da área foi implantado dentro da janela ideal.
De acordo com o engenheiro agrônomo Guilherme Zorzi, da Emater/RS, em alguns pontos houve necessidade de replantio, causada por encharcamento do solo e falhas na emergência das plantas após episódios de chuva intensa. "Foram casos isolados, sem impacto relevante no cenário geral", avalia. A regional de Bagé cultiva pouco mais de 1 milhão de hectares de soja, área estratégica para o desempenho do estado.
Com a semeadura concluída, a cultura entra agora em sua fase mais sensível, com parte das lavouras já em floração e expectativa de avanço desse estágio nas próximas semanas. A partir deste momento, a boa disponibilidade hídrica passa a ser ainda mais determinante, enquanto eventuais ondas de calor e períodos de estiagem representam os principais riscos ao potencial produtivo.
Para reduzir a exposição climática, os produtores adotaram estratégias como a diversificação de ciclos de cultivares e o escalonamento do plantio, evitando concentrar toda a semeadura em um único período. O uso de áreas de várzea também contribui para diluir riscos, especialmente em anos com influência de La Niña.
No aspecto fitossanitário, o quadro também é considerado tranquilo neste início de ciclo. Até o momento, há baixa incidência de pragas e doenças, além de registros pontuais de plantas daninhas, dentro do esperado para esta fase. "Não há percalços relevantes a serem registrados até agora", resume o agrônomo.
Para o Rio Grande do Sul, segundo maior produtor de soja do país, o bom início da safra reforça a expectativa de competitividade e recuperação produtiva, desde que o clima colabore nas próximas etapas do desenvolvimento da cultura.

