Mercados

Açúcar recua no exterior enquanto etanol renova máximas e supera R$ 3 nas usinas de SP

Enquanto o açúcar recua nas bolsas internacionais, o etanol hidratado renova máximas em SP e supera R$ 3 por litro pela primeira vez na safra.

AgroLatam
AgroLatam es una red de periodistas especializados en agroindustria y agroalimentación en América Latina. Produce contenidos editoriales colectivos sobre producción, mercados, comercio agropecuario, innovación y políticas del sector.

O mercado internacional do açúcar segue pressionado e mantém a tendência baixista neste início de 2026, ao mesmo tempo em que o etanol hidratado ganha força no mercado doméstico e renova máximas históricas na safra 2025/26. O movimento reforça a dinâmica distinta entre os dois principais produtos do setor sucroenergético neste começo de ano.

Nesta terça-feira (13), os contratos futuros de açúcar operam em queda nas principais bolsas globais. Em Nova Iorque, o contrato março/26 é negociado a 14,81 cents de dólar por libra-peso, com recuo de 0,20%. O vencimento maio/26 registra 14,47 cents (-0,28%), enquanto o julho/26 opera a 14,49 cents (-0,28%). Em Londres, o açúcar branco acompanha o movimento negativo, com o contrato março cotado a US$ 422,60 por tonelada, baixa de 0,19%.

No mercado brasileiro, o açúcar cristal branco iniciou o ano com recuperação no volume negociado, impulsionado pela retomada das atividades industriais após o recesso de fim de ano. Segundo o Cepea, esse retorno tende a normalizar os fluxos de oferta e demanda ao longo de janeiro.

Entre 5 e 9 de janeiro, o Indicador CEPEA/ESALQ (São Paulo) registrou média de R$ 107,49 por saca de 50 kg, considerando açúcar com cor Icumsa entre 130 e 180, o que representa uma queda de 2,28% frente à semana anterior. De acordo com os pesquisadores, o recuo reflete o aumento da disponibilidade de açúcar com coloração até 180 Icumsa, classificado como produto de menor qualidade. Já o açúcar de melhor padrão, com até 150 Icumsa, segue sendo negociado a preços relativamente mais elevados, evidenciando uma demanda seletiva por parte dos compradores.

O grande destaque da semana, no entanto, está no mercado de biocombustíveis. O etanol hidratado negociado pelas usinas paulistas ultrapassou a marca de R$ 3,00 por litro, líquido de impostos, pela primeira vez na safra 2025/26. Segundo o Cepea, a valorização é sustentada pela oferta reduzida neste estágio final da temporada e pela postura firme dos vendedores.

Do lado da demanda, as distribuidoras estiveram mais ativas, buscando recompor os estoques consumidos durante as festas de Natal e Ano Novo. Esse movimento resultou no maior volume semanal de etanol hidratado vendido pelas usinas de São Paulo desde a semana iniciada em 19 de janeiro de 2024, sinalizando um mercado aquecido mesmo em um período tradicionalmente mais curto de oferta.

A combinação de açúcar pressionado no exterior e etanol valorizado no mercado interno reforça o desafio estratégico das usinas, que seguem calibrando o mix produtivo em um cenário de volatilidade internacional, custos elevados e maior atenção à rentabilidade no mercado doméstico.

© AgroLatam. Todos los derechos reservados. Queda prohibida su reproducción total o parcial sin autorización.
Esta nota habla de: